sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Medo: a mais poderosa arma para a dominação



Completando as palavras de Mia Couto: temos medo de falar o que pensamos, temos medo de parecer ridículo/a ou parecer inferior ao expormos nosso modo de pensar, principalmente se este modo for muito diferente dos demais modos, temos medo de errar, e temos mais medo ainda de sermos flagrados/as errando. Talvez por isso o medo em deixar registrado em blogs de discussão suas convicções? Medo de ter que, talvez, mudá-las?
Após essa provocação introdutória, abrimos essa postagem para discutir sobre o medo e as relações etnicorraciais. Em postagem anterior citamos Miriam Chnaiderman que afirmava que o racismo era uma reação ao medo. Desta vez, trazemos para dialogar conosco Cheick Anta Diop que explora ainda mais essa questão do medo no entendimento do racismo. Nos diz Diop: 
"Eu acredito ser o racismo uma reação ao medo, mais frequente quando não confesso. O racista é alguém que se sente ameaçado por alguma coisa ou alguém que ele não pode ou consegue controlar. [...] Negros não são racistas. Negros não têm medo de contatos étnicos. Brancos sim ! Eu acho que em grande medida o racismo se origina deste medo. [...] O que é bastante evidente, contudo, é que esta xenofobia é, definitivamente, um traço entrincheirado das culturas européias. [...] De fato, ocorre que, uma das fraquezas das civilizações negras, particularmente durante o tempo medieval, foi a abertura, o cosmopolitismo destas sociedades. Os reinos negros medievais estavam abertos para pessoas de todos os lugares. E, hoje, uma das fraquezas básicas das sociedades africanas é que elas ainda mantêm esta características cosmopolita herdada. Nacionalismo na África emergiu como um reflexo puramente defensivo. Nacionalismo estreito, xenofobia, exclusão de estrangeiros nunca foi uma política das culturas africanas. Sempre encontramos isto associado a culturas indo-européias."
Bem, poderíamos continuar citando e citando Diop, que preenche toda a lacuna que temos dessas versões da história da humanidade. Sempre aprendíamos que a população branca europeia era a corajosa e forte, e por isso dominava a negra e a escravizava. Diop dá uma outra interpretação para esse fato histórico (a dominação europeia): a fraqueza do povo africano estava (e está) justamente na ausência do medo de partilhar, de se relacionar com o Outro.
É um tipo de fraqueza defendido nos discursos pedagógicos, quando se enfatiza a importância do Outro na construção de conhecimento, mas que, infelizmente, poucos/as tem colocado em prática.

Por Poliana Rezende


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Representantes de Instituições Não Governamentais do Brasil que lutam contra o racismo e defendem a equidade de gênero participam da 66ª da ONU. Para as brasileiras a ONU precisa dar maior atenção ao combate do racismo na América Latina

A necessidade de uma atenção maior ao problema da mulher negra na América Latina será levantada por representantes da organização não governamental (ONG) Geledés - Instituto da Mulher Negra, que participam hoje (22), em Nova York, da reunião de alto nível sobre os dez anos da Conferência de Durban. A reunião faz parte dos debates da 66ª sessão da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Nilza Iraci, uma das representantes da ONG foi a escolhida para representar as mulheres brasileiras no encontro. Em entrevista à Agência Brasil, ela disse que aproveitará o tempo para lembrar que as mulheres negras estão na base da pirâmide social, não só no Brasil, mas nos demais países da América Latina e do Caribe. Segundo ela, racismo e sexismo andam juntos na região e precisam ser enfrentados pelos governos.
"Racismo e sexismo andam juntos e sem essa consciência não se resolve a questão", disse Nilza. Para ela, é preciso lembrar que no caso da mulher negra, na região, há uma dupla vitimização. "Basta olhar a base da pirâmide social no Brasil. São as mulheres negras que recebem os menores salários, que não têm acesso aos serviços de saúde de qualidade. Há um conjunto de situações que afetam, especialmente, a vida das mulheres negras", destacou.
Nilza Iraci terá cerca de três minutos para falar. Também está previsto na reunião um discurso da ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).
Para as mulheres, o que se espera do discurso da ministra é a garantia de que o Brasil continuará enfrentando essa questão com prioridade, com o fortalecimento da Seppir e da Secretaria de Políticas para as Mulheres, comandada pela ministra Iriny Lopes. "Essas secretarias são referência e devem servir de exemplo para os demais países da América Latina e do Caribe.
No discurso de abertura da Assembléia Geral da ONU, feito ontem (21), a presidenta Dilma Rousseff citou a questão racial e de gênero, de forma geral. Para a representante da ONG Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) Guacira Oliveira é esperada na fala de Luiza Bairros a reafirmação do compromisso de continuidade e incremento das políticas voltadas para esse público.
Outro ponto polêmico, em que se espera uma política mais eficaz, é a questão da violência. Os assassinatos de negros ainda são muito maiores. "No Brasil, o problema da violência é permanente e muito grave", enfatizou Guacira, que está em Nova York para a reunião.
Ela defendeu também maior compromisso da ONU na resolução de conflitos étnicos. "Os recursos das agências para a questão da igualdade ainda são ínfimos. Existem muitas guerras étnicas, mascaradas de guerras religiosas, que precisam ser resolvidas", disse.
A Conferência de Durban, em 2001, tratou de todas as formas de discriminação, racismo e xenofobia. O Brasil desempenhou papel de protagonista no encontro e, depois, na implementação de políticas raciais. A reunião de hoje tem o objetivo de homenagear os dez anos da conferência e, ao mesmo tempo, avaliar os esforços feitos pelos países desde então e os avanços obtidos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

"Tudo que é bonito é pra se mostrar" (?)


Ainda falando sobre o concurso de Miss Universo, consideramos pertinente destacar o histórico de Belezas Negras no topo do mundo, sob os critérios do concurso, porque parafraseando o dito popular, tudo que é bonito deveria ser mostrado, o que não acontece muito (ainda) no Brasil e no mundo, pois se mostra muito mais um lado, o da miséria, da história de negr@s e oculta os outros: o das lutas, o das conquistas, o das belezas e etc.
Assim, iremos mais uma vez utilizar o potencialidade desse evento, o Miss Universo, para mostrar que as Pérolas Negras não são raras, é nossa visão que é deficiente de tais estímulos.




A angolana Leila Lopes (acima) foi, na verdade, a quarta negra a vencer o concurso de Miss Universo. A primeira mulher negra a se tornar Miss Universo foi Janelle "Penny" Commissiong (abaixo) de Trinidad & Tobago, em 1977




Em 1998 a vencedora também foi de Trinidad & Tobago, Wendy Fitswillian (à esquerda), que teve a honra de passar sua coroa a outra Miss Universo Negra, Mpule Keneilwe Kwelagobe (à direita), de Botsuana





















Esse ano, apesar do Brasil não ter tido nenhuma candidata negra a Miss Brasil (a única Miss Brasil negra foi Deise Nunes, em1986, abaixo)





tivemos muitas belezas destacáveis concorrendo ao Miss Universo, vale a pena admirá-las












Fontes:
Soul Negra
Portal Geledés
Bate Estaca

By Poliana Rezende

sábado, 17 de setembro de 2011

Leila Lopes: uma Beleza que dá medo


   Assim como aconteceu na época das últimas eleições presidenciais em que tivemos o ciberespaço como palco das expressões xenófobas do país, agora, após o concurso Miss Universo 2011 em que uma negra foi a vencedora, vemos novamente cairem as máscaras de brasileiros/as que fazem declarações machistas e racistas em blogs e nas redes sociais como facebook e twitter.
     Para nós, pesquisadores/as negros/as, essa situação não causa surpresa, mas espanto sempre causará. O aspecto positivo dessas manifestações racistas e machistas estarem acontecendo e estarem sendo disseminadas é justamente a possibilidade de se abrir a discussão: precisamos discutir sobre o racismo, ele ainda existe sim, estava esse tempo todo escondidinho e controladinho e só quem o percebia eram aquelas "pessoas negras complexadas que viam racismo em tudo". Hoje esse discurso não poderá mais se sustentar. O racismo não é mais camuflado no discurso da piedade, ele é evidente. Se era preciso a presença do ódio para se conseguir enxergar o racismo para algumas personalidades como Ziraldo, os internautas fizeram o trabalho de desmascarar o racismo odioso que o Brasil mantém.
     É, sim, uma questão de gosto achar Leila Lopes feia. E o gosto, assim como nosso corpo, é cultural, se aprende assim como se aprende a gostar de comer frutas, como se aprende a se sentar de pernas cruzadas se for menina e a controlar as lágrimas se for menino... Então, esse gosto pode ser modificado, ampliado, transformado. Mas é questão de educação que os "gostos" sejam respeitados.
    Vendo a imagem acima de Leila Lopes em que sua beleza vem de dentro também, assim como ela própria declarou, me faz corroborar o pensamento de Miriam Chnaiderman (1996, p. 85): "[...] O que leva ao racismo não parece ser a incapacidade para suportar a diferença, muito pelo contrário, o que leva ao racismo, o que exaspera alguém até torná-lo racista, é ver o diferente tornar-se o mesmo. Ou seja, é ver o outro como muito parecido, e por isso sentir-se ameaçado na sua identidade".

By Poliana

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Pérola Negra 2011



O Concurso de Miss Universo que acontece anualmente há 60 anos, teve pela primeira vez sede no Brasil. Muitos países com tradição em modelos muito brancas, apostaram esse ano nas suas belezas mais bronzeadas... Mas o Brasil não teve nenhuma candidata negra a Miss Brasil esse ano. Leila Lopes mereceu a coroa por todos os critérios que requer uma Miss Universo. Mas será que, em 60 anos, Leila Lopes foi a única beleza negra digna desse título? Esse ano muitas finalistas eram asiáticas, parece que o discurso do multiculturalismo tomou conta do concurso.
O lance é aproveitar o poder da mídia e o reinado de Miss Universo Leila Lopes para dar aquela "repaginada" no arquétipo Princesa que costumava ter pele branca como a neve e olhos azuis como o lago....
Depois que a Walt Disney lançou sua primeira Princesa Negra quando lançou em 2009 o filme A Princesa e o Sapo, enfim, o Ocidente conhece a primeira Princesa Negra de carne e osso.

By Poliana Rezende

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Material do II e-geincos

Olá Pessoal,
 
Passando para divulgar o link, onde estaremos colocando a venda o material do II e-geincos (bolsa, camisa e livro). No site tem fotos, preços e onde é possível encontrar o material.
 
Confira clicando aqui.
 
By Leyde Klebia
NEPIERE/GEINCOS/UFPB

segunda-feira, 6 de junho de 2011

II E-geincos

Olá Pessoal,


O II e-geincos foi um sucesso, não só com relação a organizãção, mas também devido a discussões provocadas nas mesas redondas, gt's e mini-cursos. Os professores participaram, interagiram e literalmente "se jogaram" nesse projeto de responsabilidade ética e social. O NEPIERE/GEINCOS sente-se honrado por ter recebido tantas pessoas envolvidas com a temática, que realmente praticam e lutam em busca desse objetivo "tornar visível a produção de conhecimento a cerca do(a) negro(a)" não só na UFPB, mas em todos os espaços, seja eles institucionais ou privados, profissionais ou cotidianos. Precisamos desmitificar a ideia de que o povo negro é sem história e sem contribuições para a ciência. No II e-geincos foi possível constatar, por meio das falas dos palestrantes, que existiu ao longo da histórias inúmeros(as) estudiosos(as) e pensadores(as) negros(as) alguns até conhecidos, e outros obstante, invisibilizados por uma história eurocêntrica e embranquecedora.


Bem, o tema é muito rico e polêmico também, o que gera ma vasta gama e possibilidades para discussão. O evento terminou, mas vamos continuar discutindo e interagindo. Nosso blog está aqui para isso: gerar; provocar e alimentar discussões que problematizem a temática etnicorracial nos vários âmbitos do saber.


Sobre o II e-geincos, estamos disponibilizando algumas fotos, tiradas ao longo do evento. Confira clicando aqui!

Até as próximas discussões!!!


by Leyde Klebia

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Lendo "O Ultimo Rei da Escócia"



O Filme "O Ultimo Rei da Escócia" de Kevin Macdonald, lançado em 2007 aqui no Brasil, conta a história de Idi Amin, um terrível ditador de Uganda, interpretado por Forest Whitaker, com várias indicações e premiações de melhor ator.
Apesar de retratar uma história negativa da população negra africana, a narrativa também tem suas mensagens de crítica ao que Chimamanda Adichie chamou de uma arrogância bem intencionada/ piedade do branco-europeu para com os povos africanos. No trailler do filme já é possível se fazer a leitura dessa crítica quando o médico de Uganda Dr Junju (David Oyelowo) diz para o médico escocês Dr Nicholas Garrigan (James McAvoy): "Diz ao mundo a verdade sobre Amin. Eles acreditarão em ti. Tu és branco".
No início do filme, o espectador é levado a subestimar a inteligência do Presidente de Uganda e também a se deixar seduzir pelo seu carisma.
As atrocidades retratadas no filme são baseadas em relatos verídicos.
Boa leitura ! Vamos às reflexões...
Poliana Rezende
Mestranda em Educação

sexta-feira, 22 de abril de 2011

II e-geincos "A RESPONSABILIDADE ÉTICO-SOCIAL DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS E A EDUCAÇÃO DA POPULAÇÃO NEGRA"

É com grande satisfação que convidamos a toda comunidade acadêmica a participar do nosso segundo Seminário. Este ano com o tema: "A (IN)VISIBILIDADE DO(A) NEGRO(A) NA PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO"


INSCRIÇÕES ABERTAS PARA OUVINTES (ÚLTIMAS VAGAS)





Inscreva-se no site: http://2egeincos.wordpress.com/



Poliana Rezende


Mestranda em Educação

terça-feira, 31 de agosto de 2010

II Seminário Ciência em Ação

Olá Pessoal,

A coordenação do Evento informa que as inscrições para o "II Seminário Ciência em Ação: a pesquisa qualitativa: origem, desenvolvimento e algumas tendências metodológicas recentes" estão ENCERRADAS. O número limite de vagas foi atingido e contamos com a compreensão de todas e todos!

Atenciosamente
A Coordenação

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

II SEMINÁRIO CIÊNCIA EM AÇÃO A pesquisa qualitativa: origem, desenvolvimento e algumas tendências metodológicas recentes.

Olá Pessoal!


Aproveito a oportunidade deste espaço para divulgar o II SEMINÁRIO CIÊNCIA EM AÇÃO que dessa vez traz como tema "A pesquisa qualitativa: origem, desenvolvimento e algumas tendências metodológicas recentes". O evento tem por objetivo:

  • Desenvolver reflexões sobre as origens, desenvolvimento, fundamentações e contribuições da pesquisa qualitativa para a Ciência da Informação;

  • Promover discussões sobre algumas técnicas, métodos e instrumentos que vêm sendo utilizados na pesquisa qualitativa em ciências humanas e ciências sociais aplicadas;

  • Contribuir para o aprimoramento do quadro metodológico das pesquisas desenvolvidas pelos mestrandos e doutorandos dos programas de pós-graduação em Ciência da Informação e Educação.


Veja a Programação:


01/09 – Abertura

8:30 h
9:00 h - Tema: Pesquisa qualitativa: histórico de seu desenvolvimento e suas contribuições para as Ciências Sociais
Prof. Dr. Edvaldo Carvalho Alves - UFPB
Profª Drª Mirian de Albuquerque Aquino – UFPB

10:30 h – Intervalo

Coffee Break


08/09

8:30 - Tema 1 : Mapas conceituais e as Tecnologias da Aprendizagem
Prof. Dr. Romero Tavares da Silva -UFPB
Prof. Msc. Cláudia Montenegro - UFPB (Debatedora)
10:30 h – Intervalo

Coffee Break


15/09

8:30 - Tema 2: Perspectivas da História Oral
Profª Drª Alba Cleide Calado Wanderley - UEPB
Profª Drª Bernardina Maria Juvenal Freire de Oliveira - UFPB (Debatedora)
10:30 h – Intervalo

Coffee Break


24/09

8:30 - Tema3: Teoria Fundamentada
Profª Drª Windiz Brazão Ferreira - UFPB
Prof. Dr. Edvaldo Carvalho Alves - UFPB (Debatedor)
10:30 h – Intervalo

Coffee Break


30/09

8:30 - Tema 4: Análise de Discurso: novos territórios e objetos
Profª Drª Ivone Tavares Lucena - UFPB
Profª Drª Maria Angélica de Oliveira - UFCG (Debatedora)
10:30 h – Intervalo

Coffee Break

LOCAL - Auditório do CCSA



INSCRIÇÕES

geincos.ufpb@gmail.com

OBS: Será cobrada uma taxa de 10,00 R$ por inscrito.



REALIZAÇÃO

GEINCOS

PPGCI/UFPB

PPGE/UFPB

DCI/UFPB


ORGANIZADORES

Profa. Dra. Mirian de Albuquerque Aquino

Prof. Dr. Edvaldo Carvalho Alves



Contamos com a participação de vocês!!!!
Até Breve...



Leyde Klebia Rodrigues da Silva
Secretária Administrativa - GEINCOS/UFPB

quinta-feira, 1 de julho de 2010

FLOR DO DESERTO



Estreou nos cinemas brasileiros, no dia 25 de junho, o filme Flor do Deserto, de Sherry Horman, baseado no livro de Waris Dirie, modelo somaliana e atual embaixadora da ONU.
O filme que estreou na Alemanha e Reino Unido em 2009, ganhou o título de Melhor Filme Europeu no Festival de San Sebastián, através do voto popular. Os brasileiros, tão acostumados em reafirmar os objetos de prestígio europeu, fugiram a regra: os cinemas de João Pessoa e vários outros do país, não colocaram o filme em cartaz.
Entretanto, vale registrar aqui a sinopse e o trailler do filme para quem, por falta de oportunidade de assistir no cinema, quiser ver o filme em DVD.

Com o elenco composto por Liya Kebede, Sally Hawkins, Craig Parkinson, Meera Syal, Anthony Mackie, o filme narra a história de Waris Dirie (Soraya Omar-Scego / Liya Kebede). Nascida em uma família de criadores de gado nômades, na Somália, Waris Dirie, aos 13 anos, fugindo de um casamento arranjado, atravessa o deserto por dias até chegar em Mogadishu, capital do país. Seus parentes a enviaram para Londres, onde trabalhou como empregada na embaixada da Somália. Ela passa toda a adolescência sem ser alfabetizada. Quando vê a chance de retornar ao país, ela descobre que é ilegal da Somália e não tem mais para onde ir. Com a ajuda de Marylin (Sally Hawkins), uma descontraída vendedora, Waris consegue um abrigo. Ela passa a trabalhar em um restaurante fast food, onde é descoberta pelo famoso fotógrafo Terry Donaldson (Timothy Spall). Através da ambiciosa Lucinda (Juliet Stevenson), sua agente, Waris torna-se modelo. Só que, apesar da vida de sucesso, ela ainda sofre com as lembranças de um segredo de infância.




Poliana Rezende
Mestranda em Educação UFPB

terça-feira, 22 de junho de 2010

V SEMANA DE HUMANIDADES UEPB GUARABIRA - MESA REDONDA "DIREITOS HUMANOS E EDUCAÇÃO"

Durante os dias 24 a 28 de maio de 2010 estivemos participando da V Semana de Humanidades da Universidade Estadual da Paraíba, em Guarabira, onde professores e estudantes de todos os cursos do Campus participaram na organização e desenvolvimento do evento, garantindo o sucesso expresso na superação da estimativa de 400 para mais de mil inscritos.

O evento proporcionou a nós, do GEINCOS, uma experiência significativa em que vários aspectos merecem nosso destaque: a organização do evento, a recepção e hospitalidade da Universidade e da cidade, os espaços para troca e discussão de temáticas pertinentes, os momentos de aprendizagem e aperfeiçoamento de conhecimentos.

O evento envolveu uma diversidade de temas que atenderam a variados interesses e áreas do conhecimento, oferecendo mesas redondas, palestras e mini-cursos dos mais diversos assuntos.

Na mesa redonda “Direitos Humanos e Educação”, na qual escolhemos participar, interagimos com estudantes de Direito da UEPB, discutindo sobre a temática das Cotas Raciais em que pertinentes questões foram levantadas e debatidas em relação aos caminhos e entraves da Política de Ações Afirmativas. Na ocasião, nenhum(a) participante se colocou decididamente contrário às cotas, porém, muitas críticas foram colocadas como: as cotas deveriam ter prazo estipulado; as cotas poderiam causar um relaxamento nos estudantes das escolas públicas, as cotas não deveriam ser apenas raciais, as cotas deveriam vir acompanhadas de outras políticas que atuem nas causas dos problemas, a militância pró-cotas deveria reivindicar (e focar) ensino técnico de qualidade e não apenas universidade.

Apesar de termos em nossas respostas uma postura defensiva, pois bastava dizer que lutamos por cotas para incluir negros nas universidades, uma vez que os dados do IBGE revelam a gritante contradição em que, um país que vive numa suposta democracia racial e que possui quase metade da população de negros, não chega a 1% o número de estudantes negros no ensino superior, para esclarecimento, é preciso que seja dito: as pesquisas mostram que o desempenho dos cotistas não é inferior ao dos demais estudantes. Se por um lado acredita-se que as cotas levariam os estudantes candidatos às cotas a um relaxamento, existe uma outra linha de pensamento que espera que os mesmos estejam mais motivados a estudar por terem, com as cotas, uma oportunidade antes não vislumbrada. As outras políticas sugeridas pelos participantes da Mesa já existem e, aliás, vieram antes das cotas. O Movimento Negro, desde sua acepção já reivindicava escola pública de qualidade para a população negra, assim como reivindicou saúde pública especial para a população negra, no entanto, estranhamente, essas lutas não foram polemizadas pela mídia, só as cotas.

Quanto a última sugestão colocada no debate, nossa reflexão é: o que se quer dizer ao sugerir que devemos lutar por ensino técnico, numa época em que só a graduação não está mais sendo suficiente para a competição posta pelo mercado de trabalho?; o que se quer defender ao sugerir que o foco de nossa luta não deve ser o ensino superior, uma vez que os dados mostram o quanto essa instituição tem apresentado dados que justificam nossa ânsia na defesa por um espaço negado durante décadas? Algumas questões são colocadas diante de tal sugestão: qual o objetivo do ensino técnico e qual o objetivo do curso superior? Será que, ao sugerir a militância da população negra a lutar por ensino técnico, não se está reforçando a ideia hegemônica de que os negros devem servir apenas aos trabalhos braçais enquanto a elite branca é que deve estar dirigindo e pensando o país? É contra essa realidade hegemônica, persistente ainda hoje, que as cotas vêm combater, pois não se quer apenas o negro na Universidade, nem as cotas devem ser um anseio apenas da população negra, afinal, como questionou Munanga quem ganha com as cotas: apenas a população negra ou a sociedade brasileira como um todo? Já está em tempo de interromper o monólogo europeu, afinal, conforme Cunha Junior*, nem a Europa pratica mais esse eurocentrismo obsoleto das Universidades Brasileiras.


Poliana Rezende

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPB

*Palestra "As novas palavras, os novos conceitos e mudança de paradigma na pesquisa sobre população negra"proferida pelo Prof° Henrique Cunha Junior - UFC, promovida pelo GEINCOS na UFPB em junho 2010.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A BUSCA DE SILVIO ROMERO POR UMA ESSÊNCIA BRASILEIRA SOB A PERSPECTIVA DE SCHNEIDER

A obra de Schneider, “Silvio Romero: Hermeneuta do Brasil”, tenta compreender o pensamento de Silvio Romero dentro do contexto de modernização em que o Brasil estava inserido, ou seja, apagando as características ibéricas para se transformar em republicano. No mesmo contexto, o Brasil estava sob influência dos efeitos do Século das Luzes com suas teorias raciais que imprimiam ao país uma imagem de sociedade degenerada devido à miscigenação, herança do sistema colonial que havia se desfeito há pouco.

Na falta de uma institucionalização de disciplinas acadêmicas, a literatura fazia o papel de compreender, descrever, entender, narrar cientificamente o Brasil a fim de produzir um imaginário nacional e criar um sentimento de pertença entre os brasileiros, que ainda não compartilhavam um sentimento de nacionalidade.

O paradoxo de Silvio Romero começa ao aceitar o postulado científico da supremacia branca, e ao mesmo tempo, defender a miscigenação como uma singularidade brasileira e que deveria ser, portanto, valorizada pelos escritores brasileiros.

O seu engajamento na busca pelo autêntico brasileiro limitou seu olhar crítico sob as obras literárias, onde buscava ler o Brasil a partir dos textos, preocupando-se menos ou quase nada com a estética e a poética de uma obra. Por esse motivo, teceu várias críticas às obras machadianas, por entender que estas não estavam engajadas nesse movimento de afirmação da brasilidade.

Outra contradição encontrada em Silvio Romero foi a sua utilização do determinismo racial (pseudo) científico para fazer brotar um vibrante nacionalismo, ao mesmo tempo, aceitava a teoria brasileira do branqueamento, destacando a importância da imigração, desde que esta fosse seletiva, ou seja, de povos que fossem suscetíveis à adaptação e assimilação da cultura já instaurada no Brasil e não o contrário. Este aspecto irá configurar o que se denominou “germanofobia”, em que Silvio Romero advertia sobre o risco de desmembramento do sul do país, devido a ocupação em massa por imigrantes alemães. Por outro lado, ao entender o momento histórico, podemos considerar que Silvio Romero propiciou avanços no que se refere à contribuição das culturas indígenas e africanas na formação de nossa essência enquanto brasileiros, bem como na reformulação do conceito de raça. No entanto, vale destacar que a ideia de contribuição da cultura africana, e também da indígena, mas sobretudo a primeira em que Silvio Romero elege como mais relevante do que a segunda, limita-se às práticas e desconsidera totalmente o pensamento.

Desde a criação dos Institutos Históricos, reconhece-se a importância de uma História na (con)formação de uma consciência nacional. Uma citação de John Henrik Clarke figura muito bem esse jogo de poder envolvido no contar e no interpretar a História: “A melhor maneira de controlar um povo é controlar o que ele pensa sobre si mesmo” (CLARKE, 1976, p. 5 apud NASCIMENTO, 2009, p. 61). A “fidelidade ao mundo real e a capacidade de esboçar os costumes, a cultura e os dramas históricos de ‘nossa gente” (SCHNEIDER, 2005, p. 37) cobrados por Silvio Romero, não deixava de lado o caráter subjetivo, em que está presente a seleção e a intenção de que tipo seria representado e defendido como o autêntico brasileiro. Nas palavras de Schwarcz (1993, p. 114), escrever a história constituía dessa forma um ato de garimpagem, de quem recolhe documentos assim como se procuram preciosidades. O ato de selecionar fatos supunha a mesma isenção encontrada naquele especialista que, ciente de seu ofício, separa as boas das más [...].

Com efeito, as obras literárias e a forma como a História Nacional foi forjada deixaram essa marca ao pensamento nacional, segundo o qual é confirmado “o antigo mito antiafricano de que o pensamento e a filosofia devem ficar para os brancos, enquanto os negros se restringem às artes, ao entretenimento e ao atletismo” (NASCIMENTO, 2009, p.139), evidenciado inclusive no meio acadêmico em que, apesar das políticas de ações afirmativas que instituem as cotas raciais, os debates e as ciências tem se curvado exclusivamente aos pensamentos ocidentais. Sem contar que, essas políticas de afirmação da cultura africana evidenciam um aspecto pouco ou nunca mencionado no escopo da História Nacional: a agência dos povos africanos.

Em contraponto à essa prática reinante de entender a experiência dos povos à luz de paradigmas ocidentais, em que a obra literária brasileira esteve fundamentada, temos a matriz africana da diáspora que oferece referenciais para a articulação de outros paradigmas. Um deles é o ideograma Sankofa, que ensina o conhecimento do passado como pedra fundamental da construção do futuro (NASCIMENTO, 2009, p.28).

Partindo desse pressuposto, conclui-se que a “pedra africana, como também a indígena, está faltando no tripé sobre a qual tentamos construir a identidade brasileira” (NASCIMENTO, 2009, p. 28)


REFERÊNCIAS


NASCIMENTO, Elisa Larkin (Org.). Afrocentricidade: uma abordagem epistemológica inovadora. São Paulo: Selo Negro, 2009. (Sankofa: matrizes africanas da Cultura Brasileira, 4).


SCHEINDER, Alberto Luiz. Sílvio Romero: hermeneuta do Brasil. São Paulo: Annablume, 2005.


SCHWARCZ, Lilia Moritz. O Espetáculo das Raças: cientistas, instituições e questão racial no Brasil 1870-1930. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.



Poliana Rezende

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação - UFPB

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Afrodiáspora

Afrodiáspora: saberes pós-coloniais, poderes e movimentos sociais
26 a 29 de julho de 201o
Rio de Janeiro
A Asssociação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) tem o prazer de anunciar a organização do VI Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as). Esperamos congregar pesquisadores(as) , estudantes da Educação Superior, professores(as) e gestores(as) de Educação Básica e Superior para um exercício de reflexão e intercâmbio de conhecimentos sobre temas de interesse da população negra no Brasil.
Mais informações, acesse: http://www.abpn.org.br.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Projeto de Pesquisa: Memória da Ciência: invisibilidade do negro na produção de conhecimento da UFPB

Em nossa reunião acadêmica de hoje foram apresentados os resultados preliminares do projeto de pesquisa do PIBIC "Memória da Ciência: invisibilidade do(a) negro(a) na produção do conhecimento da UFPB". Os bolsistas do projeto, Leyde Klébia e Jobson Francisco, expuseram ao grupo os resultados parciais da pesquisa apresentados em slides e artigos no XVII ENIC da UFPB - 2009 e nos relatórios do PIBIC. OS dados da pesquisa resultaram da análise da produção científica publicada nos anais do ENIC (período de 1998-2008) e nos periódicos científicos on line da UFPB. As conclusões evidenciam a invisibilidade das questões de recorte etnicorracial nesta produção científica. Nos anais do ENIC analisados foram encontrados apenas 1,2% de trabalhos sobre o tema e nos periódicos científicos apenas 0,9% das publicações.

Para saber mais sobre o projeto, acesse: http://dci.ccsa.ufpb.br/geincos/memoria.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Café Étnico (Encerramento) - 18/07/2008

O Seminário foi encerrado com a degustação de um saboroso "Café Étnico" oferecido aos participantes do evento. Seguindo-se a entrega dos certificados e a exposição de livros.


Roda de Capoeira do Mestre Zunga




Os alunos da Escola de Capoeira Afro-nagô do Mestre Zunga jogaram capoeira e encerraram à tarde de trabahos convidando os participantes a integrarem-se numa roda de samba. O Mestre Zunga expôs um pouco da história e da filosofia da capoeira, bem como do trabalho desenvolvido com pessoas de diversas faixas etárias.






terça-feira, 22 de julho de 2008

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Mesas 1 e 2 (17/07/2008 - manhã/tarde)

A Mesa 1, iniciada às 9h, reuniu o Prof. Dr. Henrique Cunha Júnior (UFC), Prof. Dr. Waldeci Ferreira Chagas (UEPB) e o Prof. Dr. Elio Chaves (PPGH/UFPB) sob a coordenação da Profa. MSc. Maria do Socorro Pimentel para debater sobre o tema "Sociedade da Informação e a Situação Atual da População Negra".

A Mesa 2, iniciada às 14h, reuniu o Prof. Dr. Carlos Xavier de Azevedo Netto (PPGCI/UFPB), Prof. Dr. José Antonio Novaes da Silva (PPGCR/UFPB) e o Prof. Dra. Joana Coeli Ribeiro Garcia (PPGCI/UFPB) e Profa. Dra. Janine Marta R. Coelho (PPGE/UFPB) sob a coordenação da Profa. MSc. Ana Paula Romão (DHP/CE/UFPB) para debater sobre o tema "A saúde da população negra e as políticas de informação".

Os trabalhos do dia foram encerrados com a apresentação cultural da Escola de Capoeira Afro-Nagô do Mestre Zunga.