sábado, 17 de setembro de 2011

Leila Lopes: uma Beleza que dá medo


   Assim como aconteceu na época das últimas eleições presidenciais em que tivemos o ciberespaço como palco das expressões xenófobas do país, agora, após o concurso Miss Universo 2011 em que uma negra foi a vencedora, vemos novamente cairem as máscaras de brasileiros/as que fazem declarações machistas e racistas em blogs e nas redes sociais como facebook e twitter.
     Para nós, pesquisadores/as negros/as, essa situação não causa surpresa, mas espanto sempre causará. O aspecto positivo dessas manifestações racistas e machistas estarem acontecendo e estarem sendo disseminadas é justamente a possibilidade de se abrir a discussão: precisamos discutir sobre o racismo, ele ainda existe sim, estava esse tempo todo escondidinho e controladinho e só quem o percebia eram aquelas "pessoas negras complexadas que viam racismo em tudo". Hoje esse discurso não poderá mais se sustentar. O racismo não é mais camuflado no discurso da piedade, ele é evidente. Se era preciso a presença do ódio para se conseguir enxergar o racismo para algumas personalidades como Ziraldo, os internautas fizeram o trabalho de desmascarar o racismo odioso que o Brasil mantém.
     É, sim, uma questão de gosto achar Leila Lopes feia. E o gosto, assim como nosso corpo, é cultural, se aprende assim como se aprende a gostar de comer frutas, como se aprende a se sentar de pernas cruzadas se for menina e a controlar as lágrimas se for menino... Então, esse gosto pode ser modificado, ampliado, transformado. Mas é questão de educação que os "gostos" sejam respeitados.
    Vendo a imagem acima de Leila Lopes em que sua beleza vem de dentro também, assim como ela própria declarou, me faz corroborar o pensamento de Miriam Chnaiderman (1996, p. 85): "[...] O que leva ao racismo não parece ser a incapacidade para suportar a diferença, muito pelo contrário, o que leva ao racismo, o que exaspera alguém até torná-lo racista, é ver o diferente tornar-se o mesmo. Ou seja, é ver o outro como muito parecido, e por isso sentir-se ameaçado na sua identidade".

By Poliana

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Pérola Negra 2011



O Concurso de Miss Universo que acontece anualmente há 60 anos, teve pela primeira vez sede no Brasil. Muitos países com tradição em modelos muito brancas, apostaram esse ano nas suas belezas mais bronzeadas... Mas o Brasil não teve nenhuma candidata negra a Miss Brasil esse ano. Leila Lopes mereceu a coroa por todos os critérios que requer uma Miss Universo. Mas será que, em 60 anos, Leila Lopes foi a única beleza negra digna desse título? Esse ano muitas finalistas eram asiáticas, parece que o discurso do multiculturalismo tomou conta do concurso.
O lance é aproveitar o poder da mídia e o reinado de Miss Universo Leila Lopes para dar aquela "repaginada" no arquétipo Princesa que costumava ter pele branca como a neve e olhos azuis como o lago....
Depois que a Walt Disney lançou sua primeira Princesa Negra quando lançou em 2009 o filme A Princesa e o Sapo, enfim, o Ocidente conhece a primeira Princesa Negra de carne e osso.

By Poliana Rezende